Uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo, mas ninguém obedece. Por que?

Assim se preserva o meio ambiente

Na sexta feira, 22 de maio de 2009, por volta das 22 horas, um fiscal do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), abriu fogo contra o lavrador Emanoel Josian Barbosa. Josian morreu aos 20 anos. Caçava arribaçãs, uma ave silvestre, numa área de proteção ambiental do assentamento Boa Vista, zona rural de Jandaíra, região norte do Rio Grande do Norte. “Essa não é a primeira vez que isso acontece. Outros caçadores já foram mortos.” afirmou um policial militar que ajudou a proteger o fiscal ambiental da reação pública.

Reação pública que ocorreu no município de Tailândia, no distante Pará, contra os agentes fortemente armados do governo que guarneciam a operação Arco de Fogo. Lançada pelo Ministério do Meio Ambiente em fevereiro de 2008 a bem da preservação ambiental, a operação fechou as serrarias da cidade, destruiu a economia local e eliminou os empregos por ela gerados. A população local reagiu fazendo barricadas com toras de madeira e pneus em chamas, tentando defender seus empregos e o sustento de suas famílias.

Doze meses depois, o jornal britânico The Guardian, publicou reportagem apontando os efeitos sociais da operação. A reportagem apresenta aos leitores do jornal Fernando da Conceição, um ex-trabalhador formal de uma serraria de Tailândia que passou a mendigar nos bares e restaurantes da cidade depois de perder seu emprego após a operação Arco de Fogo. A reportagem tratava da retomada das operações ilícitas após a saída das forças de repressão de governo brasileiro.

Assim como Tailândia, a cidade de Portel no Pará, que foi alvo de reportagem do Fantástico de ontem mostrando mães, em meio à miséria, vendendo as próprias filhas por trocados, também foi alvo de operações de repressão do governo contra o setor madeireiro local. Setor madeireiro que, mal ou bem, gerava alguns empregos na cidade.

São exemplos que dão bem o tom da estratégia brasileira para preservação do meio ambiente: Mata-se as pessoas, lentamente pela miséria ou acintosamente a tiros, e salva-se o meio ambiente.

Tive um professor de economia ambiental que contava, com uma ironia quase sarcasmo, a história de um programa de educação ambiental realizado no Mato Grosso com o objetivo de ensinar as criancinhas do pantanal a não fazerem mal aos jacarés. Anos depois, com a eficácia do programa e a conseqüente proliferação dos jacarés, pensava-se num outro programa de educação ambiental com o objetivo de ensinar os jacarés a não comerem as criancinhas. O professor gostava de frisar que o último programa nunca aconteceu. Jacarés correm risco de extinção; criancinhas, não.

Veja links para as fontes dessa nota:
 Reportagem sobre o assassinato do garoto:
http://www.nominuto.com/noticias/policia/itep-confirma-identidade-de-cacador-morto-por-fiscais-do-ibama/32324/

 Conseqüência da operação Arco de Fogo em Tailândia:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/02/28/reuniao_expoe_divergencias_entre_moradores_de_tailandia_o_ibama-426014986.asp

 Reportagem do The Guardian:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/feb/15/amazon-deforestation-brazil

 Reportagem do Fantástico mostrando mãe agenciando a própria filha em Portel-PA:
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/06/01/mae-vende-filha-por-500-no-para-756128579.asp

Veja trecho de abertura do livro O Homem Revoltado de Albert Camus. Totalmente relacionado ao assunto deste post.

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One response

  1. William

    Mais direto que um soco do mike Tyson…
    Concordo com você, e, o dia que uma árvore for mais importante que o nosso filho (isso pra quem mora aqui e não para atores da Globo), aí sim, a floresta permanecerá…
    Meu filho é mais importante…

    02/06/2009 at 1:42

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